Decisão reduz o alcance do embargo comercial e mantém as restrições concentradas em Santa Catarina, representando um avanço para a avicultura brasileira e para a preservação dos mercados internacionais.
A avicultura brasileira obteve uma importante conquista no cenário internacional. O México decidiu reconhecer a regionalização sanitária para a doença de Newcastle e restringir as medidas comerciais às áreas afetadas de Santa Catarina, permitindo que os demais estados brasileiros habilitados mantenham suas exportações de produtos avícolas.
A decisão, comunicada em 30 de outubro de 2026, representa um avanço nas negociações sanitárias entre os dois países e reduz o risco de prejuízos para a cadeia produtiva nacional.
A mudança foi resultado de articulações técnicas e diplomáticas conduzidas pelo governo brasileiro, com participação de autoridades sanitárias, representantes do setor produtivo e órgãos responsáveis pelas relações comerciais internacionais.
O reconhecimento da regionalização permite que o México considere a localização dos focos da doença ao estabelecer suas exigências de importação, evitando que uma ocorrência restrita a determinado território resulte automaticamente na suspensão das compras de todo o país.
Exportações de frango para o México são preservadas na maior parte do território brasileiro
Com a nova decisão, empresas e frigoríficos instalados em estados que não estão sujeitos às restrições e que atendem aos requisitos sanitários mexicanos podem continuar comercializando produtos avícolas com o mercado mexicano.
Antes dessa mudança, as limitações abrangiam o território brasileiro de maneira mais ampla, em consequência dos registros da doença de Newcastle em Santa Catarina.
O México possui importância comercial para a indústria brasileira de carne de frango. Estimativas do setor indicam que o mercado movimenta aproximadamente 25 mil toneladas mensais do produto brasileiro, com receita próxima de US$ 70 milhões por mês.
A manutenção desse fluxo comercial é relevante para frigoríficos, produtores integrados, fornecedores de insumos e demais participantes da cadeia avícola.
Além de preservar um destino importante para a produção nacional, a decisão diminui o risco de que volumes anteriormente destinados à exportação precisem ser direcionados ao mercado interno.
Focos de Newcastle em Santa Catarina mantêm autoridades em alerta
As restrições mexicanas continuam relacionadas às ocorrências da doença de Newcastle identificadas em Santa Catarina.
O primeiro registro foi confirmado em 18 de outubro de 2026, em uma propriedade comercial de criação de perus de corte localizada em Nova Itaberaba, no oeste catarinense.
Na sequência, outras ocorrências foram identificadas nos municípios de Coronel Freitas e Nova Erechim.
Os registros levaram à intensificação das medidas de defesa sanitária, incluindo investigações epidemiológicas, vigilância, controle de movimentação e ações destinadas a impedir a disseminação da enfermidade.
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que pode provocar problemas respiratórios, digestivos e neurológicos nas aves, além de causar impactos econômicos significativos para a produção avícola.
Por esse motivo, o monitoramento dos estabelecimentos, a identificação rápida de suspeitas e o cumprimento dos protocolos de biosseguridade são fundamentais para proteger os plantéis comerciais.
Regionalização sanitária protege bilhões em oportunidades comerciais
O reconhecimento internacional das áreas livres de determinadas enfermidades representa uma ferramenta estratégica para o comércio exterior brasileiro.
Quando um país importador aceita a regionalização, as restrições podem ficar concentradas nas localidades afetadas, permitindo a continuidade das negociações com regiões que mantêm condições sanitárias adequadas.
Um levantamento baseado nas exportações brasileiras de 2025 aponta que a adoção desse mecanismo ajudou a evitar perdas comerciais potenciais de aproximadamente US$ 954 milhões por ano.
Entre os mercados que representam maior exposição econômica em um cenário de restrições nacionais estão:
China: aproximadamente US$ 485 milhões em perdas potenciais evitadas.
Arábia Saudita: cerca de US$ 293 milhões.
Argentina: aproximadamente US$ 57 milhões.
Esses valores representam estimativas de impactos comerciais que poderiam ocorrer caso fossem aplicadas restrições mais abrangentes. Não correspondem a prejuízos efetivamente registrados.
Os números demonstram a importância de acordos sanitários que considerem a localização das ocorrências e a capacidade de resposta do sistema brasileiro de defesa agropecuária.
China também adota restrições limitadas a Santa Catarina
Outro avanço importante ocorreu nas relações comerciais com a China, um dos principais destinos da carne de frango brasileira.
A experiência anterior mostrou os riscos de embargos abrangentes. Em 2024, após um registro de Newcastle no Rio Grande do Sul, o mercado chinês suspendeu temporariamente as compras de produtos avícolas provenientes de todo o território brasileiro.
Em 2026, diante das ocorrências em Santa Catarina, as medidas comerciais chinesas passaram a ser direcionadas ao estado afetado, após as negociações realizadas pelo Brasil.
A mudança representa um avanço na diplomacia sanitária e demonstra a importância de estabelecer protocolos internacionais que reconheçam a capacidade brasileira de investigar e controlar focos localizados.
Para a indústria avícola, esse tipo de reconhecimento ajuda a preservar contratos, reduzir incertezas comerciais e manter a competitividade das exportações.
Quais mercados ainda mantêm restrições por causa de Newcastle?
Apesar dos avanços obtidos nas negociações, diferentes parceiros comerciais continuam adotando medidas relacionadas às ocorrências sanitárias brasileiras.
Entre os mercados que estabeleceram algum tipo de restrição estão México, Uruguai, Malásia, China, Chile, Paraguai, Peru, Turquia, Arábia Saudita, União Europeia e Reino Unido.
Entretanto, as exigências não são iguais para todos os destinos. Enquanto alguns países reconhecem a regionalização e limitam as medidas às áreas afetadas, outros podem estabelecer restrições mais amplas ou requisitos específicos para determinados produtos.
Por isso, a situação de cada mercado precisa ser avaliada individualmente, considerando os protocolos sanitários vigentes, as áreas abrangidas e os produtos autorizados para exportação.
Setor avícola comemora reconhecimento da regionalização
A decisão mexicana representa um resultado positivo para a indústria brasileira de proteína animal, pois reforça a confiança nos mecanismos de defesa sanitária utilizados pelo país.
O reconhecimento também evidencia a importância da atuação conjunta entre autoridades governamentais, serviços veterinários oficiais e representantes da cadeia produtiva.
A transparência na comunicação dos focos, a rapidez das investigações e a adoção de medidas de controle são fatores importantes para demonstrar aos compradores internacionais que o Brasil possui capacidade de resposta diante de emergências sanitárias.
Para o setor, preservar a credibilidade internacional é tão importante quanto manter a capacidade produtiva e a competitividade dos preços.
O que a decisão representa para os produtores de frango?
A manutenção das exportações para o México por parte dos estados habilitados ajuda a preservar os canais de escoamento da produção brasileira.
O comércio internacional possui participação importante no equilíbrio da cadeia avícola. Quando os embarques são mantidos, a indústria consegue distribuir melhor os volumes produzidos entre os mercados interno e externo.
Isso reduz o risco de concentração excessiva de oferta no mercado doméstico, que poderia aumentar a pressão sobre os preços da carne de frango.
Para os produtores rurais, especialmente aqueles vinculados a sistemas de integração, a continuidade das exportações contribui para diminuir as incertezas relacionadas à demanda industrial.
Mesmo com o avanço, Santa Catarina continua enfrentando limitações comerciais no mercado mexicano, enquanto as autoridades acompanham a evolução dos focos e trabalham para recuperar integralmente as condições de acesso aos mercados internacionais.
Conclusão
Regionalização se consolida como instrumento de proteção das exportações brasileiras
A decisão do México representa uma conquista importante para a avicultura nacional e reforça o papel da regionalização sanitária na proteção do comércio internacional.
Ao limitar as restrições às áreas afetadas, o país importador evita que ocorrências localizadas comprometam automaticamente toda a produção brasileira.
Para o Brasil, o desafio agora é manter o controle sanitário em Santa Catarina, fortalecer a biosseguridade nas granjas e avançar nas negociações com os parceiros comerciais que ainda aplicam restrições.
A preservação dos mercados internacionais é fundamental para a competitividade da avicultura brasileira. O reconhecimento da regionalização pelo México mostra que a capacidade de controlar doenças e comprovar a segurança sanitária da produção pode evitar prejuízos milionários para toda a cadeia do frango.
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