Culturas, criação animal e produção granjeira ampliam as fontes de renda das famílias produtoras de tabaco
As propriedades produtoras de tabaco movimentaram R$ 23,2 bilhões em renda na safra 2025/2026, considerando a produção de tabaco, outras culturas agrícolas, criação de animais e atividades granjeiras. Os dados mostram que a diversificação tem participação relevante na economia das famílias rurais, especialmente entre os 136 mil produtores considerados no levantamento.
Outras culturas representam 24% da renda
Segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), as atividades agrícolas diferentes do tabaco geraram R$ 5,56 bilhões na safra 2025/2026. Esse montante correspondeu a cerca de 24% da renda total registrada nas propriedades.
A criação de animais e a produção granjeira também tiveram peso importante. Juntas, essas atividades movimentaram R$ 4,78 bilhões, equivalentes a 20,6% da renda das propriedades produtoras de tabaco.
Para as famílias rurais, a combinação de diferentes atividades permite distribuir a geração de receita entre culturas e sistemas produtivos distintos, reduzindo a dependência de uma única fonte de renda dentro da propriedade.
Tabaco ocupa menor área, mas concentra maior renda
Mesmo com a presença de outras atividades, o tabaco continuou sendo responsável pela maior parcela da receita. Na safra 2025/2026, a cultura gerou mais de R$ 12,8 bilhões, representando 55,4% da renda total das propriedades.
Outro dado destacado no levantamento é a relação entre a área destinada ao tabaco e sua participação econômica. Em média, o cultivo ocupou 20,3% das terras das propriedades, que apresentaram tamanho médio de 14,71 hectares.
Entre os demais usos da área aparecem as pastagens, que ocuparam 17,3%, a soja, com 16,1%, e o milho, responsável por 10,5%. As áreas de mata utilizadas para fins energéticos representaram 8,3%, enquanto a mata nativa correspondeu a 14,8% da área média das propriedades.
Diversificação vem sendo estimulada há décadas
A adoção de diferentes atividades produtivas nas propriedades produtoras de tabaco não é uma estratégia recente. Segundo informações do setor, iniciativas voltadas à diversificação começaram a ser incentivadas em 1985, inicialmente com a introdução de milho e feijão após a colheita do tabaco.
A ideia era aproveitar as áreas já utilizadas durante o ciclo produtivo e ampliar as possibilidades de produção e geração de renda para as famílias.
Em 2014, o programa passou a ter uma atuação ampliada nos estados do Sul e, posteriormente, também incorporou o incentivo ao uso de forrageiras para formação de pastagens. Em 2017, a iniciativa passou a ser identificada como Programa Milho, Feijão e Pastagens após a colheita do tabaco.
Já em 2025, a iniciativa recebeu o nome Tabaco é Agro: Diversificação das Propriedades, ampliando a proposta para diferentes atividades e formas de aproveitamento das áreas rurais.
Conclusão
Culturas e criação animal ajudam no aproveitamento das áreas
A diversificação também pode influenciar a forma como a propriedade utiliza seus recursos ao longo do ano. A produção de grãos, a formação de pastagens e a criação de animais podem ocupar diferentes áreas de acordo com as características e os objetivos de cada produtor.
O cultivo após a colheita do tabaco também permite dar continuidade ao uso produtivo de determinadas áreas. A presença de cobertura vegetal e a alternância entre culturas podem contribuir para a conservação do solo e auxiliar na redução de processos erosivos.
Outro efeito está relacionado à produção de alimentos. Parte das culturas e da criação animal pode atender ao consumo da própria família, enquanto o excedente pode ser destinado à comercialização, criando diferentes possibilidades dentro da propriedade.
O cenário da safra 2025/2026 mostra que o tabaco permanece como principal componente da renda dessas propriedades, mas outras atividades representam uma parcela expressiva da economia familiar. Para o produtor, acompanhar quais atividades apresentam melhor adaptação à sua terra, mão de obra e mercado pode ajudar no planejamento da propriedade.
A diversificação, portanto, aparece como uma estratégia de organização produtiva que combina diferentes fontes de receita e formas de utilização das áreas rurais. A decisão sobre quais atividades adotar deve considerar as condições específicas de cada propriedade e a capacidade de investimento da família.
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