Projeto amplia mecanismos de proteção, muda subvenção e pode aproximar seguro do crédito rural.
O Senado Federal aprovou, em 3 de setembro de 2026, o Projeto de Lei 2.951/2024, que propõe mudanças importantes no funcionamento do seguro rural no Brasil. O texto altera regras sobre a subvenção ao prêmio, o Fundo de Catástrofe e o uso das apólices como garantia para operações de crédito rural. Agora, a proposta depende de sanção do presidente da República.
Subvenção ao seguro poderá ter mais previsibilidade
Uma das principais alterações previstas no projeto é a mudança na forma de tratamento da subvenção econômica destinada ao seguro rural. A proposta estabelece que esse apoio passe a ser considerado uma despesa obrigatória do orçamento público.
Na prática, a mudança busca aumentar a previsibilidade dos recursos destinados a ajudar os produtores no pagamento do prêmio do seguro. O mecanismo é relevante porque o custo da apólice pode ser um dos fatores considerados pelo produtor antes de decidir pela contratação da proteção.
Para quem trabalha com agricultura e pecuária, maior previsibilidade no programa de subvenção pode facilitar o planejamento da gestão de riscos, especialmente em atividades sujeitas a perdas provocadas por eventos climáticos.
Seguro rural pode ganhar espaço no crédito
O projeto também prevê que o seguro rural possa ser utilizado como uma modalidade de garantia em determinadas operações de crédito. A medida aproxima duas ferramentas importantes para o produtor: financiamento e proteção contra perdas.
A lógica é permitir que uma apólice contratada possa contribuir para a segurança financeira da operação, desde que as condições previstas no contrato sejam atendidas. Em caso de prejuízo coberto pelo seguro, a indenização pode ajudar o produtor a preservar sua capacidade de cumprir compromissos financeiros.
A proposta também trata de benefícios relacionados ao crédito que estejam vinculados à contratação do seguro e prevê mudanças nos procedimentos de regulação e indenização. O texto estabelece limites de prazo para essas etapas.
Fundo de Catástrofe também entra nas mudanças
Outro eixo do projeto envolve o Fundo de Catástrofe, instrumento criado para reforçar a capacidade do mercado de seguros diante de perdas de grande magnitude.
A proposta busca aperfeiçoar os mecanismos utilizados para ampliar a cobertura quando os prejuízos provocados por determinados eventos ultrapassarem a capacidade normalmente suportada pelas seguradoras.
Para o produtor, esse tipo de mecanismo é importante principalmente em situações de eventos severos, nas quais as perdas podem atingir muitas propriedades ao mesmo tempo. O fortalecimento da estrutura de proteção pode contribuir para aumentar a capacidade de resposta do sistema de seguros rurais.
Aprovação ocorre antes de novo ciclo agrícola
Durante a análise da matéria, o relator, senador Jaime Bagattoli, ressaltou a importância de concluir a votação antes do início do período de plantio da principal safra. A contratação do seguro precisa ser considerada antecipadamente, já que envolve planejamento da produção, custos e condições estabelecidas na apólice.
O projeto teve origem em uma proposta apresentada pela senadora Tereza Cristina e sofreu modificações durante a tramitação na Câmara dos Deputados. Depois de retornar ao Senado, a matéria foi aprovada pelo Plenário em 3 de setembro de 2026.
A aprovação, portanto, ainda não significa que as novas regras já estejam valendo. O texto seguirá para avaliação do presidente da República, que poderá sancioná-lo ou tomar as medidas previstas no processo legislativo.
Conclusão
O que o produtor deve acompanhar agora
Enquanto a decisão presidencial não ocorre, produtores rurais devem continuar acompanhando as regras atualmente vigentes para contratação de seguro e os programas de subvenção disponíveis. Também é importante avaliar cuidadosamente as condições de cada apólice antes de contratar a proteção.
Se o projeto for sancionado, as mudanças poderão alterar a relação entre seguro, crédito rural e mecanismos públicos de proteção contra grandes perdas. Para a agricultura familiar, acompanhar essas alterações será importante para identificar possíveis oportunidades de redução de riscos e melhorar o planejamento financeiro das próximas safras.
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