Mudança na oferta global e menor produção destinada ao açúcar no Brasil podem favorecer a recuperação das cotações.
Os preços internacionais do açúcar podem ganhar força nos próximos meses diante da expectativa de que o mercado global passe de um cenário de excedente para déficit na safra 2026/27. Segundo levantamento realizado pela Reuters com operadores e analistas do setor, a redução na oferta mundial, somada às incertezas climáticas e às decisões das usinas brasileiras sobre a produção de açúcar e etanol, deve influenciar diretamente as cotações.
Mercado pode sair do superávit para o déficit
De acordo com levantamento da Reuters, o mercado internacional iniciou a safra 2025/26 com expectativa de superávit de aproximadamente 4,78 milhões de toneladas de açúcar. Entretanto, as projeções para o ciclo 2026/27 apontam uma inversão desse cenário.
A estimativa atual indica um déficit próximo de 800 mil toneladas, resultado que tende a reduzir a disponibilidade do produto no mercado mundial. Esse novo equilíbrio entre oferta e demanda pode favorecer uma recuperação gradual dos preços ao longo dos próximos meses.
Ainda segundo os analistas consultados, os contratos futuros do açúcar bruto negociados na bolsa de Nova York podem encerrar o ano próximos de 15 centavos de dólar por libra-peso, acima dos valores registrados no fim de julho.
Clima e produção mundial permanecem no radar
Além da redução esperada na oferta, as condições climáticas seguem como um dos principais fatores de atenção para o mercado.
Especialistas apontam que perdas já observadas em algumas regiões produtoras e a possibilidade de novos problemas climáticos no Hemisfério Norte podem comprometer parte da produção mundial. Caso essas previsões se confirmem, a disponibilidade de açúcar poderá ficar ainda mais restrita.
Esse cenário aumenta a sensibilidade dos preços às informações sobre clima, produtividade das lavouras e desempenho das principais regiões produtoras.
Brasil deve produzir mais cana, mas menos açúcar proporcionalmente
O Brasil continua sendo peça-chave para o abastecimento global de açúcar. As estimativas apontam que a região Centro-Sul deverá produzir cerca de 40 milhões de toneladas de açúcar na safra 2026/27, volume ligeiramente inferior ao registrado no ciclo anterior.
Por outro lado, a moagem de cana-de-açúcar deve crescer. A expectativa é de uma produção próxima de 638 milhões de toneladas, acima das cerca de 611 milhões de toneladas processadas na safra passada.
Mesmo com mais matéria-prima disponível, a parcela da cana destinada à fabricação de açúcar poderá cair para aproximadamente 47%, abaixo dos cerca de 50,3% registrados em 2025/26.
Segundo analistas do mercado, essa mudança pode refletir uma maior atratividade da produção de etanol, dependendo da rentabilidade oferecida por cada produto durante a safra.
Índia amplia produção, mas oferta global continua apertada
A Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, também deve aumentar sua produção na próxima safra.
As projeções indicam uma colheita de aproximadamente 29,4 milhões de toneladas em 2026/27, acima das 28,1 milhões de toneladas estimadas para o ciclo anterior.
Apesar desse crescimento, especialistas avaliam que o aumento da produção indiana pode não ser suficiente para compensar a redução da oferta em outros países produtores, mantendo o mercado internacional em situação de déficit.
Açúcar branco também apresenta expectativa de valorização
Além do açúcar bruto, o mercado acompanha a possível recuperação dos preços do açúcar branco.
Segundo a pesquisa da Reuters, a expectativa é que o produto encerre o ano próximo de US$ 479 por tonelada, valor superior ao observado no fim de julho.
O comportamento das cotações continuará dependendo principalmente das condições climáticas, da produtividade das lavouras, do desempenho da safra brasileira e das decisões das usinas sobre o direcionamento da cana para a produção de açúcar ou etanol.
Conclusão
O que o produtor deve acompanhar
Para produtores de cana-de-açúcar e agentes do setor sucroenergético, o cenário indica um mercado que pode voltar a oferecer melhores oportunidades de comercialização caso o déficit global seja confirmado. Acompanhar os relatórios de produção, as condições climáticas e as decisões das usinas será fundamental para avaliar o melhor momento de venda e entender os impactos da relação entre açúcar e etanol sobre os preços nos próximos meses.
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