Queda nas compras chinesas pressiona embarques brasileiros, enquanto Estados Unidos e outros mercados ampliam participação
As exportações brasileiras de carne bovina recuaram 35,1% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O Brasil embarcou 229,3 mil toneladas, contra 353,1 mil toneladas em setembro de 2025, enquanto a receita chegou a US$ 1,38 bilhão. O principal fator foi a redução das compras da China, que caiu mais de 90%.
China reduz participação nas exportações brasileiras
O mercado chinês foi o principal responsável pela queda dos embarques em setembro. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), baseados em informações oficiais de comércio exterior, as vendas brasileiras para a China somaram 12,9 mil toneladas no mês.
Esse volume representa uma redução de 93,2% em relação a setembro de 2025. A receita também diminuiu fortemente, passando para US$ 75,2 milhões, queda de 92,9% na comparação anual.
A retração ocorre em um cenário influenciado pela salvaguarda adotada pelo mercado chinês. O efeito já vinha aparecendo nos meses anteriores: depois de alcançar 317 mil toneladas em junho, os embarques brasileiros caíram para 264 mil toneladas em julho, 233 mil toneladas em agosto e 229 mil toneladas em setembro.
Estados Unidos ampliam compras de carne brasileira
Enquanto a China diminuiu significativamente suas compras, outros mercados passaram a absorver uma parcela maior da produção brasileira.
Os Estados Unidos receberam 48,3 mil toneladas de carne bovina em setembro, aumento de 389% frente ao mesmo período de 2025. A receita com essas vendas chegou a US$ 313,8 milhões, crescimento de 333,8%.
Outros compradores também aumentaram os embarques. O Chile importou 19,4 mil toneladas, alta de 87,2%, enquanto a Rússia recebeu 13,1 mil toneladas, crescimento de 20,5%.
A União Europeia também ampliou suas compras, chegando a 20 mil toneladas, avanço de 29,7%. Indonésia, Canadá e Turquia apresentaram aumentos ainda mais expressivos no período.
Resultado acumulado do ano permanece próximo de 2025
Apesar do recuo registrado em setembro, o desempenho dos nove primeiros meses de 2026 ainda mostra resistência nas exportações brasileiras.
De janeiro a setembro, foram embarcadas 2,43 milhões de toneladas de carne bovina, apenas 0,5% abaixo das 2,44 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025, segundo os dados divulgados pela entidade do setor.
Em valor, entretanto, houve crescimento. A receita acumulada chegou a US$ 14,17 bilhões, alta de 14,1% sobre os US$ 12,42 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.
Para o produtor rural, esse comportamento mostra que a redução das compras de um grande mercado não necessariamente significa perda proporcional da demanda externa. A abertura de espaço em outros destinos pode ajudar a sustentar o comércio brasileiro.
China ainda lidera mercado para a carne brasileira
Mesmo com a forte retração observada recentemente, a China continua sendo o principal destino da carne bovina exportada pelo Brasil.
Entre janeiro e setembro, os embarques para o país asiático somaram 912 mil toneladas e geraram US$ 5,59 bilhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume caiu 20,9%, enquanto a receita diminuiu 7,8%.
Ainda assim, a China representou 37,5% de todo o volume exportado pelo Brasil nos nove primeiros meses do ano e respondeu por 39,4% da receita obtida pelo setor.
Os Estados Unidos, por outro lado, ganharam espaço. No acumulado de janeiro a setembro, os embarques brasileiros para o mercado norte-americano chegaram a 317,4 mil toneladas, alta de 45%. A receita alcançou US$ 2,08 bilhões, crescimento de 60,8%.
Frigoríficos planejam próximos embarques
Com a aproximação do encerramento do ano, empresas do setor já começam a organizar as operações relacionadas ao próximo ciclo de vendas para a China.
Segundo a Abiec, existem tratativas com o governo federal para buscar uma distribuição mais equilibrada dos embarques ao longo de 2027. A estratégia envolve antecipar contratos e organizar a logística para evitar uma concentração excessiva das vendas em determinados períodos.
Esse planejamento pode ser relevante para toda a cadeia pecuária, já que alterações no ritmo das exportações influenciam a demanda dos frigoríficos e podem repercutir sobre as negociações de animais para abate.
Conclusão
Carne in natura concentra maior parte dos embarques
A carne bovina in natura continuou sendo o principal produto enviado ao exterior em setembro. Foram 195,2 mil toneladas, correspondentes a 85,1% de todo o volume exportado, com receita de US$ 1,23 bilhão.
Também foram embarcadas 16,3 mil toneladas de miúdos, 9 mil toneladas de produtos industrializados, 5,3 mil toneladas de gorduras, 3 mil toneladas de tripas e 474 toneladas de carnes salgadas.
O cenário de setembro reforça a importância de acompanhar não apenas o volume total das exportações, mas também o comportamento de cada mercado comprador. Para o pecuarista, a diversificação dos destinos pode reduzir a dependência de um único país e influenciar as perspectivas de demanda e preços ao longo dos próximos meses.
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