Confirmação da doença em uma criação comercial de perus no oeste catarinense amplia a vigilância sanitária e reforça a necessidade de medidas rigorosas de biosseguridade nas granjas.
A confirmação de um segundo foco da doença de Newcastle em Santa Catarina aumentou a preocupação com a proteção sanitária da avicultura brasileira. O novo caso foi identificado em uma criação comercial de perus localizada em Coronel Freitas, no oeste do estado, após o registro inicial da enfermidade no município de Nova Itaberaba.
A detecção foi confirmada por exames laboratoriais realizados entre os dias 23 e 24 de outubro de 2026. O novo foco está situado em uma região que já integra a área submetida a medidas de emergência zoossanitária, permitindo dar continuidade aos trabalhos de monitoramento e contenção.
A ocorrência reforça a importância de identificar rapidamente possíveis sinais de doenças nos plantéis e impedir a entrada de agentes infecciosos nas propriedades. Para os avicultores, a prevenção é fundamental para proteger os animais, evitar perdas econômicas e preservar a segurança sanitária da produção.
Segundo foco mantém autoridades em alerta no oeste catarinense
A identificação do novo caso levou à continuidade das investigações epidemiológicas e das medidas de controle na região. Como parte da área de vigilância já havia sido delimitada após a primeira ocorrência, os serviços veterinários contam com informações sobre estabelecimentos e propriedades localizados nas proximidades.
Até 26 de outubro, 15 granjas comerciais da região haviam apresentado resultados negativos nas análises realizadas. Após a avaliação sanitária, as aves dessas propriedades foram liberadas para seguir o fluxo normal de abate.
No primeiro foco, em Nova Itaberaba, os procedimentos de limpeza e desinfecção foram concluídos, e a propriedade entrou em período de vazio sanitário. Essa etapa busca reduzir o risco de permanência do vírus no ambiente antes de uma eventual retomada das atividades, conforme os protocolos oficiais.
Outro ponto de atenção foi a identificação do vírus em pombos de vida livre no município de Marema, fora da área de emergência. A ocorrência reforça a importância de reduzir o contato entre aves silvestres e aves mantidas em sistemas comerciais.
Quatro municípios estão sob emergência zoossanitária
Após a primeira confirmação da doença, foi declarada emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.
A medida permite intensificar a vigilância epidemiológica e estabelecer procedimentos específicos para monitorar propriedades, investigar possíveis ocorrências e controlar a movimentação de animais e materiais sujeitos às determinações sanitárias.
Com a confirmação do segundo foco, as equipes responsáveis continuam avaliando a situação regional e executando as medidas de contenção previstas para esse tipo de ocorrência.
A atuação coordenada entre os serviços estaduais e federais é essencial para identificar possíveis novas infecções, limitar a circulação do agente causador e proteger a cadeia produtiva avícola.
O que é a doença de Newcastle e quais são os riscos para as aves?
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral contagiosa que pode afetar aves domésticas e silvestres. A gravidade varia conforme fatores como a variante do vírus e a espécie atingida, podendo ocorrer manifestações respiratórias, digestivas e neurológicas, além de mortalidade elevada.
Entre os sinais que exigem atenção estão:
Dificuldade respiratória e espirros.
Diarreia e apatia.
Tremores e alterações na coordenação dos movimentos.
Torção do pescoço e outros sinais neurológicos.
Queda no consumo de alimento e água.
Aumento repentino da mortalidade no plantel.
A ausência de sinais clínicos evidentes não descarta a possibilidade de infecção. Em determinadas situações, a identificação depende da investigação epidemiológica e de exames laboratoriais.
Por esse motivo, alterações incomuns no comportamento, na saúde ou na mortalidade das aves devem ser comunicadas rapidamente ao serviço veterinário oficial, responsável por orientar a investigação e as medidas necessárias.
Biosseguridade é a principal barreira de prevenção nas granjas
O avanço das investigações em Santa Catarina reforça a necessidade de manter procedimentos rigorosos de biosseguridade. Essas práticas têm como objetivo impedir a entrada e reduzir a disseminação de agentes infecciosos nos estabelecimentos avícolas.
Entre os cuidados mais importantes estão:
Proteção dos aviários: manter telas, cercamentos e demais estruturas em boas condições para dificultar a entrada de aves silvestres.
Controle de acesso: restringir a circulação de pessoas, veículos e equipamentos nas áreas de criação.
Higiene das instalações: realizar limpeza e desinfecção de equipamentos, veículos e estruturas conforme os protocolos sanitários.
Roupas e calçados exclusivos: utilizar itens apropriados para cada área de produção, evitando a transferência de contaminantes.
Controle de pragas: adotar medidas para reduzir a presença de roedores, insetos e outros animais que possam comprometer a higiene.
Monitoramento do plantel: observar diariamente o comportamento das aves, o consumo de água e ração e possíveis alterações na mortalidade.
Notificação imediata: comunicar suspeitas ao serviço veterinário oficial e seguir as orientações recebidas.
A aplicação consistente dessas medidas ajuda a reduzir os riscos sanitários e contribui para manter a continuidade das atividades produtivas.
Segundo foco pode aumentar a atenção sobre o comércio de produtos avícolas
A ocorrência de doenças de importância sanitária pode provocar restrições comerciais, dependendo dos protocolos estabelecidos entre o Brasil e os países importadores.
As limitações variam conforme as exigências de cada mercado e os acordos sanitários vigentes. Em determinadas situações, as medidas podem ser regionalizadas, sem necessariamente atingir toda a produção nacional.
Por isso, a investigação dos focos, a comprovação da eficácia das ações de controle e a transparência das informações sanitárias são importantes para preservar a confiança dos compradores internacionais.
A confirmação de um segundo caso, isoladamente, não significa que todas as granjas de Santa Catarina estejam contaminadas nem que todos os mercados importadores tenham imposto novas restrições.
Para os produtores, acompanhar os comunicados oficiais é fundamental para compreender eventuais mudanças nas regras de movimentação, produção e comercialização.
O que os avicultores devem fazer diante desse cenário?
O momento exige atenção especial aos procedimentos de prevenção, principalmente nas propriedades que mantêm aves comerciais próximas de outras criações ou de áreas frequentadas por aves silvestres.
Além de reforçar a biosseguridade, os produtores devem manter os registros sanitários atualizados, orientar os trabalhadores sobre os protocolos de higiene e evitar movimentações que contrariem as determinações das autoridades.
Em caso de suspeita, não é recomendável aguardar o aparecimento de outros sinais ou tentar resolver a situação sem orientação técnica. A comunicação rápida ao serviço veterinário oficial permite avaliar o risco e definir as providências adequadas.
Conclusão
Vigilância sanitária será decisiva para proteger a avicultura brasileira
A confirmação de um segundo foco da doença de Newcastle em Santa Catarina amplia a necessidade de monitoramento no oeste catarinense e reforça a importância da prevenção nas granjas.
Embora os resultados negativos registrados em outras propriedades sejam um dado relevante para o acompanhamento da situação, a continuidade da vigilância e o cumprimento dos protocolos sanitários permanecem essenciais.
Para a avicultura brasileira, a capacidade de detectar rapidamente novos casos, conter a disseminação do vírus e preservar a saúde dos plantéis é determinante para reduzir prejuízos produtivos e proteger os mercados consumidores.
O alerta para os avicultores é claro: manter a biosseguridade em dia e comunicar qualquer suspeita sanitária rapidamente são medidas fundamentais para proteger as aves e reduzir os riscos à produção.
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