Menor volume embarcado em agosto é parcialmente compensado pela valorização da carne bovina brasileira no mercado internacional.
As exportações brasileiras de carne bovina in natura começaram agosto de 2026 em ritmo inferior ao registrado no mesmo período do ano passado e também abaixo da parcial de julho. Dados da Secretaria de Comércio Exterior, analisados pelo Cepea, mostram que o Brasil embarcou 94,419 mil toneladas nos dez primeiros dias úteis do mês, mas manteve o preço médio da tonelada em nível elevado.
Volume embarcado diminui no início de agosto
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 94,419 mil toneladas de carne bovina in natura nos dez primeiros dias úteis de agosto. Com isso, a média diária de embarques ficou em 9,442 mil toneladas.
Na comparação com agosto de 2025, o ritmo é menor. Na parcial equivalente do ano passado, os embarques já somavam cerca de 135,7 mil toneladas, com média próxima de 12,3 mil toneladas por dia.
Os números analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam uma redução de aproximadamente 30% no volume acumulado e uma queda de cerca de 23% na média diária dos embarques na comparação entre os períodos.
Preço da carne bovina sobe na comparação anual
Apesar da redução no volume exportado, a carne bovina brasileira continua sendo negociada por um valor maior no mercado externo do que há um ano.
A média registrada em agosto de 2026 chegou a US$ 6.139,50 por tonelada. No mesmo período de 2025, o valor médio estava em US$ 5.629,40 por tonelada, segundo os dados da Secex analisados pelo Cepea.
Isso representa uma valorização próxima de 9%. Na prática, cada tonelada exportada está gerando uma receita maior em dólares, o que ajuda a compensar parte dos efeitos provocados pela redução na quantidade embarcada.
Para a cadeia da pecuária de corte, esse comportamento merece atenção. Um preço internacional mais elevado pode contribuir para sustentar a receita das exportações, embora o resultado final também dependa da evolução do volume vendido ao longo do mês.
Agosto também fica abaixo do ritmo observado em julho
A desaceleração aparece ainda quando os dados de agosto são comparados com a movimentação registrada no início de julho deste ano.
Nos oito primeiros dias úteis de julho de 2026, o Brasil havia exportado 104,664 mil toneladas de carne bovina in natura. Naquele período, a média diária chegou a 13,083 mil toneladas.
Mesmo com dez dias úteis contabilizados na parcial de agosto, o volume acumulado de 94,419 mil toneladas ficou abaixo do registrado nos oito primeiros dias úteis de julho.
A média diária caiu de 13,083 mil toneladas em julho para 9,442 mil toneladas em agosto, uma redução de aproximadamente 27,8%. O resultado mostra uma perda importante de ritmo nos embarques brasileiros neste início de mês.
Cotação recua frente a julho, mas continua valorizada
O preço médio da tonelada também ficou abaixo do valor observado na parcial de julho. Naquele mês, a cotação média estava em US$ 6.383,22 por tonelada.
Em agosto, o valor passou para US$ 6.139,50 por tonelada, representando uma redução próxima de 3,8%, conforme os dados divulgados pela Secex e acompanhados pelo Cepea.
Mesmo com esse recuo mensal, a cotação permanece superior à registrada em agosto do ano passado. A diferença entre os dois cenários mostra que a perda de força nas exportações está sendo mais intensa no volume do que no valor obtido por tonelada.
Para o produtor, frigoríficos e demais participantes da cadeia, o comportamento dos preços internacionais continua sendo um fator relevante, especialmente porque o Brasil mantém posição de destaque entre os principais fornecedores mundiais de carne bovina.
Conclusão
Mercado externo será decisivo para o resultado do mês
O início de agosto apresenta um cenário de atenção para a pecuária brasileira. O país está exportando menos carne por dia do que no mesmo período de 2025 e também registra ritmo inferior ao observado no começo de julho.
Por outro lado, a valorização da tonelada no mercado externo permanece como um ponto positivo. Os próximos dados da Secex deverão mostrar se os embarques ganharão força durante o restante de agosto ou se a redução no volume continuará pressionando o desempenho das exportações. Para o produtor rural, acompanhar essa movimentação ajuda a entender o comportamento da demanda internacional e seus possíveis reflexos sobre toda a cadeia da carne bovina brasileira.
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