Recuo no preço da matéria-prima pode favorecer a indústria de fertilizantes, mas o MAP mantém cotações elevadas e preocupa produtores que planejam os custos da próxima safra.
O mercado brasileiro de fertilizantes começa a registrar sinais de alívio em uma das matérias-primas utilizadas na fabricação de produtos fosfatados. O preço do enxofre importado caiu aproximadamente 23% nas sete semanas anteriores a 19 de outubro de 2026, voltando a ficar abaixo de US$ 1.000 por tonelada.
Apesar dessa redução, os fertilizantes fosfatados ainda não apresentam uma queda equivalente nas cotações. O cenário mantém a atenção dos produtores rurais, que precisam administrar os gastos com adubação em meio às oscilações do mercado internacional.
A diminuição do preço do enxofre pode contribuir para reduzir parte dos custos industriais, mas o repasse desse movimento aos agricultores depende de outros fatores, como disponibilidade dos produtos, estoques, despesas de transporte e comportamento da demanda.
Menor procura contribui para a queda do enxofre
A recente desvalorização do enxofre está associada, entre outros fatores, à redução das compras internacionais após a forte valorização registrada ao longo de 2026.
Com os preços em patamares elevados, parte dos compradores diminuiu o ritmo das aquisições. Essa retração da demanda contribuiu para pressionar as cotações para baixo.
Entretanto, a queda não significa que o mercado esteja livre de riscos. A disponibilidade global da matéria-prima, as condições de produção e os fluxos comerciais continuam influenciando as perspectivas para os próximos meses.
O enxofre desempenha um papel importante na cadeia dos fertilizantes fosfatados. Ele é utilizado na produção de ácido sulfúrico, substância necessária em processos industriais que envolvem a fabricação de ácido fosfórico e outros insumos utilizados na produção de fertilizantes.
Quando essa matéria-prima encarece, os fabricantes podem enfrentar aumento dos custos de produção. Em sentido contrário, uma redução consistente dos preços pode melhorar as condições de fabricação, desde que os demais componentes da cadeia também apresentem condições favoráveis.
MAP continua pressionado apesar da queda da matéria-prima
O comportamento do fosfato monoamônico (MAP), fertilizante utilizado em diferentes sistemas agrícolas, mostra que a redução do enxofre ainda não se converteu em um alívio significativo para toda a cadeia.
Durante 2026, o MAP acumulou valorização de aproximadamente 23% entre o início do conflito no Oriente Médio e o pico de preços registrado naquele período. Posteriormente, o produto recuou cerca de 7% até a semana anterior à divulgação dos dados de outubro.
Essas variações correspondem a intervalos diferentes e refletem movimentos próprios do mercado de fertilizantes. Portanto, não é possível atribuir diretamente a queda recente do enxofre à redução observada no MAP.
O preço do fertilizante também depende de outros insumos, dos custos de processamento, do transporte internacional e das condições de oferta e procura.
Uma referência de importação divulgada em outubro apontou que o MAP na modalidade CFR Brasil passou de US$ 836 para US$ 840 por tonelada. Essa modalidade considera o custo do produto e o frete até o porto de destino.
Embora a variação tenha sido pequena, ela evidencia que as cotações do fertilizante ainda não acompanham necessariamente o movimento de queda observado na matéria-prima.
Além disso, o valor internacional não corresponde ao preço final pago pelo produtor rural. Despesas com transporte dentro do Brasil, armazenagem, distribuição e condições comerciais também influenciam o custo de aquisição.
Importações de enxofre e fertilizantes diminuem em 2026
O comércio exterior brasileiro também apresenta mudanças nos volumes adquiridos. Entre janeiro e setembro de 2026, as importações de enxofre ficaram aproximadamente 48% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
As compras externas de fertilizantes fosfatados também recuaram. No mesmo intervalo, o volume importado de MAP diminuiu cerca de 15%, enquanto as aquisições de superfosfato simples (SSP) apresentaram redução aproximada de 24%.
Esses números indicam uma diminuição nas compras internacionais, mas não são suficientes, isoladamente, para confirmar uma situação de desabastecimento.
Para compreender o cenário, é necessário considerar os estoques disponíveis no país, os contratos de fornecimento já realizados, a produção industrial e o calendário de entrega dos insumos.
Como a agricultura brasileira depende significativamente de fertilizantes importados, alterações na oferta internacional podem influenciar os custos de produção e o planejamento das propriedades rurais.
Cenário internacional ainda influencia os preços
As condições geopolíticas e comerciais continuam entre os fatores que podem modificar o comportamento do mercado de fertilizantes.
Conflitos internacionais e restrições comerciais podem alterar as rotas de transporte, elevar despesas logísticas e limitar a disponibilidade de matérias-primas. Ao mesmo tempo, mudanças na produção industrial e na demanda global podem acelerar ou retardar os ajustes de preços.
Mesmo com o recuo do enxofre, a redução dos custos dos fertilizantes fosfatados depende de uma combinação de fatores. A matéria-prima mais barata pode favorecer os fabricantes, mas o efeito sobre o produto final não é automático.
Se a oferta internacional melhorar e os custos industriais diminuírem de forma consistente, poderão surgir condições para novas reduções. Ainda assim, a intensidade e o prazo desse possível movimento permanecem incertos.
Como a variação dos preços afeta o produtor rural?
Para os agricultores brasileiros, a principal preocupação é saber se a queda do enxofre poderá diminuir os gastos com adubação nas próximas etapas do calendário agrícola.
O momento da compra influencia diretamente a possibilidade de aproveitar eventuais mudanças nas cotações. Quem já adquiriu os fertilizantes pode ter menos oportunidades de reduzir o custo contratado, enquanto produtores que ainda precisam comprar insumos permanecem expostos às oscilações do mercado.
Outro fator importante é o intervalo entre a negociação internacional e a chegada do produto à propriedade. Mesmo quando os preços externos recuam, o efeito pode demorar a aparecer nas revendas devido aos estoques adquiridos anteriormente e aos custos de distribuição.
A demanda brasileira também interfere nesse processo. O ritmo das compras destinadas à safra de soja 2026/27 pode influenciar a disponibilidade de produtos e as condições comerciais oferecidas pelos fornecedores.
Diante desse cenário, algumas medidas podem ajudar no planejamento:
Comparar fornecedores: avaliar preços, condições de pagamento e prazos de entrega antes de fechar a compra.
Calcular o custo por hectare: considerar a quantidade de fertilizante necessária e seu impacto sobre o orçamento total da lavoura.
Avaliar o momento da aquisição: acompanhar as cotações sem deixar de considerar o calendário de plantio e a disponibilidade dos insumos.
Planejar o fluxo de caixa: verificar se o investimento em fertilizantes é compatível com a capacidade financeira da propriedade.
Priorizar o manejo adequado: definir a adubação com base nas necessidades da cultura e nas condições do solo, evitando reduções indiscriminadas que possam comprometer a produtividade.
Essas decisões podem ajudar a controlar despesas sem comprometer o planejamento técnico da lavoura.
Conclusão
Queda do enxofre ainda não garante fertilizantes mais baratos
A redução de aproximadamente 23% nas cotações do enxofre representa uma mudança importante depois do período de valorização registrado em 2026. No entanto, o comportamento do MAP demonstra que os efeitos dessa queda ainda não alcançaram toda a cadeia dos fertilizantes fosfatados.
A evolução dos preços dependerá da continuidade desse movimento, da disponibilidade de matérias-primas, dos custos industriais e das condições de oferta e demanda nos mercados internacionais.
Para os produtores rurais, o cenário exige atenção redobrada ao orçamento da próxima safra. Acompanhar as cotações e negociar com planejamento pode ajudar a identificar oportunidades, mas decisões de compra também precisam considerar os prazos de entrega e as necessidades da lavoura.
O enxofre mais barato abre espaço para uma possível redução futura dos custos, mas o alívio no preço dos fertilizantes ainda depende da reação do mercado. Para o produtor, o desafio é equilibrar o momento da compra, o custo da adubação e a necessidade de preservar a produtividade.
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