Inseto compromete produtividade, eleva custos e impacta toda a cadeia do milho no país
A cigarrinha-do-milho, apesar do tamanho reduzido, consolidou-se como um dos maiores desafios da agricultura brasileira. Nos últimos anos, o inseto passou a provocar perdas expressivas na produção, acumulando prejuízos estimados em US$ 25,8 bilhões entre 2020 e 2024, segundo levantamento de instituições de pesquisa e entidades do setor.
Queda expressiva na produção de milho
Os dados indicam que o impacto da praga vai além de perdas pontuais e já compromete de forma estrutural a produção nacional. Ao longo das últimas quatro safras, a produtividade do milho no Brasil sofreu uma redução média de 22,7%.
Em números absolutos, isso representa cerca de 31,8 milhões de toneladas perdidas por ano, volume suficiente para influenciar o abastecimento interno e a participação do país no mercado internacional. No acumulado do período analisado, aproximadamente 2 bilhões de sacas deixaram de ser produzidas, evidenciando a dimensão do problema.
Doenças sem cura ampliam os danos
O principal fator de risco associado à cigarrinha-do-milho é sua capacidade de transmitir doenças conhecidas como “enfezamentos”, especialmente o enfezamento pálido e o vermelho. Essas enfermidades afetam diretamente o desenvolvimento das plantas e não possuem tratamento curativo.
Quando a lavoura é infectada, o crescimento das plantas é comprometido, resultando em perdas significativas de produtividade. Em situações mais severas, pode ocorrer a perda total da área cultivada, sobretudo quando são utilizados híbridos mais suscetíveis.
Além disso, o inseto também atua como vetor de outros vírus, agravando o quadro fitossanitário e ampliando os prejuízos no campo.
Aumento dos custos pressiona a rentabilidade
Outro efeito relevante da infestação é o aumento dos custos de produção. Para tentar conter o avanço da praga, produtores intensificaram o uso de defensivos agrícolas.
Como consequência, os gastos com aplicação de inseticidas cresceram cerca de 19% nas safras analisadas, ultrapassando US$ 9 por hectare. Esse cenário gera um impacto duplo: redução da produtividade e elevação das despesas operacionais, pressionando a rentabilidade das lavouras.
Problema deixou de ser regional
Embora a cigarrinha-do-milho não seja uma praga recente, sua expansão nos últimos anos mudou o cenário produtivo. O inseto deixou de ser um problema localizado e passou a atingir praticamente todas as regiões produtoras do país.
Estudos apontam que, em cerca de 80% das áreas analisadas, a praga e as doenças associadas estão entre as principais causas da queda de produtividade. A intensificação do cultivo contínuo, especialmente com o avanço da safrinha, favoreceu a multiplicação do inseto ao longo do ano.
Impactos em toda a cadeia do agronegócio
Os efeitos da cigarrinha não se restringem às lavouras. Como o milho é insumo essencial para ração animal, produção de biocombustíveis e diversos alimentos, a redução na oferta pode provocar reflexos em toda a cadeia produtiva.
Entre as consequências estão a possibilidade de aumento de preços, redução da competitividade e impactos no abastecimento. Considerando que o Brasil ocupa posição de destaque entre os maiores produtores e exportadores de milho do mundo, o problema ganha relevância também no cenário internacional.
Manejo integrado é a principal alternativa
Diante da ausência de soluções curativas, especialistas indicam o manejo integrado como principal estratégia de controle. Entre as práticas recomendadas estão:
- Eliminação de plantas voluntárias na entressafra;
- Sincronização do plantio;
- Uso de híbridos mais tolerantes;
- Monitoramento constante das lavouras.
A adoção dessas medidas busca reduzir a pressão da praga e minimizar os impactos sobre a produtividade.
Conclusão
O avanço da cigarrinha-do-milho no Brasil revela um cenário de crescente complexidade para a produção agrícola, especialmente em uma cultura estratégica para o abastecimento interno e para as exportações. Os dados acumulados entre 2020 e 2024 mostram que o problema deixou de ser pontual e passou a representar um desafio estrutural, com perdas bilionárias, redução significativa da produtividade e impactos diretos sobre a renda dos produtores.
A combinação entre queda na produção — estimada em mais de 30 milhões de toneladas anuais — e aumento dos custos operacionais, impulsionado pelo maior uso de defensivos, evidencia um ambiente de pressão sobre a rentabilidade das lavouras. Ao mesmo tempo, a ausência de soluções curativas para os enfezamentos reforça a necessidade de estratégias preventivas e de manejo contínuo, o que exige maior planejamento técnico e investimento por parte dos agricultores.
Do ponto de vista sistêmico, os efeitos se estendem para além da porteira. A redução da oferta de milho pode afetar cadeias dependentes do grão, como a produção de proteínas animais e de biocombustíveis, além de influenciar preços e a competitividade do Brasil no mercado global. Esse contexto amplia a relevância do problema, transformando-o em uma questão estratégica para o agronegócio nacional.
A disseminação da praga em praticamente todas as regiões produtoras, favorecida pelo cultivo contínuo e pela expansão da safrinha, indica que o enfrentamento do problema dependerá de ações coordenadas. Produtores, pesquisadores e políticas públicas precisarão atuar de forma integrada para desenvolver soluções mais eficientes e sustentáveis.
Nos próximos anos, o desafio será intensificar a adoção de boas práticas agronômicas, ampliar o uso de tecnologias e fortalecer a pesquisa voltada ao controle da cigarrinha. Sem essas medidas, há risco de que os prejuízos continuem crescendo, comprometendo não apenas a produtividade, mas também a estabilidade de uma das cadeias mais relevantes do agronegócio brasileiro.
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