Endividamento crescente e critérios bancários mais rígidos travam acesso a financiamento no campo
Agricultores do Rio Grande do Sul iniciam a safra 2025/26 sob forte pressão financeira. Após quatro ciclos consecutivos de prejuízos provocados por estiagem e calor intenso, produtores relatam obstáculos para contratar novos financiamentos e até para renegociar dívidas já existentes.
Perdas climáticas reduzem renda e aumentam endividamento
A falta de chuvas e as altas temperaturas afetaram o desempenho de culturas estratégicas, como soja e milho safrinha. Com menor produtividade, a receita das propriedades caiu, enquanto os compromissos financeiros continuaram a crescer.
Esse desequilíbrio compromete o fluxo de caixa das fazendas e dificulta o planejamento da próxima safra. Em várias regiões do estado, há relatos de risco à continuidade das atividades agrícolas.
Exigências bancárias restringem liberação de crédito
Representantes do setor rural afirmam que a demanda por financiamento existe, mas os critérios adotados pelos bancos têm limitado o acesso aos recursos. As exigências de garantias, enquadramento nas linhas e avaliações de risco acabam excluindo produtores que acumulam perdas recentes.
Há também relatos de que agricultores mais idosos encontram barreiras adicionais, sob a justificativa de não atenderem ao público-alvo de determinadas modalidades de crédito. Entidades apontam diferenças entre as regras anunciadas pelo governo e a aplicação prática feita pelos agentes financeiros.
Recursos anunciados ainda não chegam às propriedades
Em outubro de 2025, foi divulgada uma linha de crédito de R$ 12 bilhões, operada pelo BNDES, destinada a produtores afetados por perdas de safra. No entanto, lideranças rurais afirmam que a maior parte desse montante ainda não foi efetivamente liberada no Rio Grande do Sul.
Sem capital para custeio, compra de insumos e manutenção das lavouras, muitos agricultores seguem sem condições de estruturar o próximo plantio. A falta de financiamento amplia o impacto das perdas climáticas e prolonga a crise no campo.
Produção pode ser comprometida nos próximos anos
O déficit hídrico continua reduzindo o rendimento das lavouras, criando um ciclo negativo: menor produção gera menor receita, o que dificulta o pagamento de dívidas anteriores e limita o acesso a novos empréstimos.
Esse processo tem efeito acumulativo sobre o endividamento rural e pode afetar a capacidade produtiva do estado no médio prazo, caso não haja ajustes nas políticas de crédito e maior flexibilidade nas renegociações.
Conclusão
O cenário enfrentado pelos produtores gaúchos revela uma combinação de fatores climáticos e financeiros que se retroalimentam. As perdas sucessivas reduziram a renda das propriedades, enquanto o acesso restrito ao crédito impede a recuperação da capacidade produtiva. Mesmo com o anúncio de uma linha bilionária voltada aos agricultores atingidos, a demora na liberação dos recursos tem gerado frustração e ampliado a sensação de insegurança no campo.
Do ponto de vista econômico, a dificuldade de financiamento compromete não apenas o custeio da safra atual, mas também o planejamento de médio prazo das propriedades. Sem capital para investir em insumos, tecnologia e manejo, a tendência é de queda de produtividade e aumento do endividamento, o que pode reduzir a participação do estado na produção nacional de grãos.
No aspecto institucional, o contraste entre as medidas anunciadas e a efetiva chegada dos recursos às fazendas levanta questionamentos sobre a operacionalização das políticas de crédito rural. A necessidade de alinhar regras, ampliar garantias viáveis e facilitar renegociações aparece como ponto central para evitar a exclusão de produtores com histórico recente de perdas climáticas.
Se não houver ajustes nas condições de financiamento e maior agilidade na liberação dos recursos, o impacto poderá se estender para as próximas safras, afetando cadeias produtivas, cooperativas e a economia regional. O desafio imediato envolve transformar as linhas de crédito disponíveis em recursos acessíveis, garantindo liquidez ao produtor e evitando que a crise climática evolua para uma crise estrutural no campo gaúcho.
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