Ritmo das lavouras cresce semanalmente, porém segue abaixo do registrado na safra passada
O plantio do milho safrinha no Brasil segue em andamento nas principais regiões agrícolas do Centro-Sul. Embora as operações estejam avançando no campo, o ritmo ainda é mais lento do que o observado no mesmo período da safra anterior. Além disso, fatores climáticos e operacionais começam a gerar preocupação entre produtores e analistas do setor.
Avanço do plantio ainda está abaixo da safra passada
Levantamento da consultoria Safras & Mercado aponta que, até o fim da terceira semana de fevereiro, cerca de 36,6% da área estimada de 15,67 milhões de hectares do Centro-Sul já havia sido semeada com milho de segunda safra.
O índice mostra evolução semanal dos trabalhos agrícolas. No entanto, permanece distante dos 54,1% registrados no mesmo período do ano passado e também ligeiramente abaixo da média histórica dos últimos cinco anos, próxima de 38%.
Esse cenário indica que o calendário de plantio está mais apertado em comparação com a safra anterior, o que aumenta a atenção do mercado para as próximas semanas.
Mato Grosso lidera ritmo de semeadura
Entre os estados produtores, Mato Grosso continua apresentando o maior avanço nas atividades. No estado, aproximadamente 54,9% da área prevista, estimada em mais de 7,3 milhões de hectares, já foi plantada.
A velocidade maior no estado está relacionada principalmente à antecipação da colheita da soja em algumas regiões, além de boas condições operacionais que permitiram acelerar os trabalhos no campo.
Em outros importantes polos agrícolas, o progresso ocorre de forma mais moderada:
Paraná: cerca de 37,9% da área semeada
Goiás: aproximadamente 16,1%
Mato Grosso do Sul: cerca de 15,6%
Nos estados do Sudeste, o avanço ainda é mais limitado. São Paulo registra cerca de 12,5% da área plantada, enquanto Minas Gerais apresenta estágio inicial, com apenas 0,3% das lavouras implantadas.
Na região do Matopiba — formada por áreas agrícolas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — o plantio ainda ocorre de forma incipiente. O levantamento indica que apenas 0,6% da área estimada de 1,34 milhão de hectares foi semeada.
Entre os estados da região, Tocantins apresenta o maior avanço, com 1,4% da área plantada. Já Bahia e Piauí registram cerca de 0,6%, enquanto Maranhão aparece com apenas 0,2% da área cultivada.
Atraso da soja impacta calendário do milho
Especialistas apontam que o ritmo mais lento do plantio está diretamente ligado ao andamento da colheita da soja. Como o milho safrinha normalmente é semeado logo após a retirada da oleaginosa do campo, qualquer atraso nessa etapa acaba comprometendo o cronograma da segunda safra.
Esse fator gera preocupação no setor produtivo porque o milho plantado fora da chamada janela ideal de cultivo pode enfrentar condições climáticas menos favoráveis durante fases decisivas do desenvolvimento da planta.
Caso o plantio se estenda por um período maior do que o recomendado, aumenta o risco de as lavouras passarem por estiagens ou temperaturas elevadas durante etapas críticas, como o florescimento e o enchimento de grãos.
Além do calendário agrícola, outros fatores entram no radar dos produtores nesta safra. A irregularidade das chuvas em algumas regiões pode provocar estresse hídrico nas plantas, reduzindo o potencial produtivo das lavouras.
Outro ponto de atenção é a presença da cigarrinha-do-milho, praga responsável pela transmissão de doenças que podem causar perdas significativas quando não há controle adequado. Nesse cenário, especialistas reforçam a importância do manejo integrado, do monitoramento constante e do uso de tecnologias agrícolas para reduzir os riscos.
Conclusão
O avanço do plantio do milho safrinha no Centro-Sul brasileiro indica que as atividades agrícolas seguem em ritmo ativo no campo, mas os números atuais revelam um cenário mais desafiador em comparação com a safra anterior. Com 36,6% da área semeada até a terceira semana de fevereiro, o índice demonstra progresso semanal, porém permanece abaixo tanto do desempenho registrado no mesmo período do ano passado quanto da média histórica recente. Esse descompasso é explicado principalmente pelo atraso na colheita da soja, cultura que precede o milho no calendário produtivo e que exerce influência direta sobre o início das operações da segunda safra.
Entre os estados produtores, Mato Grosso mantém posição de destaque, com mais da metade da área prevista já plantada, impulsionado por condições operacionais favoráveis e pela antecipação da colheita da soja em algumas regiões. Em contrapartida, estados como Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais apresentam avanço mais lento, enquanto o Matopiba ainda registra estágio inicial de semeadura, com percentuais bastante reduzidos em relação à área total prevista. Essa heterogeneidade regional reforça o caráter dinâmico do calendário agrícola brasileiro, no qual fatores climáticos, logísticos e operacionais influenciam diretamente o ritmo das lavouras.
O atraso no plantio gera preocupação porque pode empurrar parte da produção para fora da chamada janela ideal de cultivo, aumentando a exposição das lavouras a condições climáticas adversas no fim do ciclo. Situações como estiagens prolongadas ou temperaturas elevadas durante o florescimento e o enchimento de grãos podem comprometer o rendimento das plantações. Paralelamente, o setor também observa com atenção a irregularidade das chuvas em algumas regiões e a presença crescente da cigarrinha-do-milho, praga que transmite doenças capazes de reduzir significativamente a produtividade.
A relevância desse cenário se torna ainda maior quando se considera o papel estratégico da segunda safra no sistema produtivo brasileiro. Nas últimas décadas, o milho safrinha passou de uma alternativa agrícola para se tornar a principal responsável pelo volume total de milho produzido no país, influenciando diretamente o abastecimento interno, a cadeia de proteína animal e o desempenho das exportações brasileiras no mercado global.
Diante desse contexto, o comportamento do clima nas próximas semanas, a aceleração da colheita da soja e a eficiência do manejo agronômico serão fatores decisivos para determinar o resultado final da safra 2026. Caso as condições climáticas permaneçam favoráveis e o plantio avance rapidamente, o setor ainda poderá recuperar parte do atraso observado até agora. No entanto, se o calendário continuar pressionado, cresce a possibilidade de impactos na produtividade e, consequentemente, no volume final da produção nacional.
Para produtores, cooperativas e analistas de mercado, o acompanhamento do avanço das lavouras e das condições climáticas seguirá sendo um dos principais indicadores para avaliar o potencial da safra. Esse monitoramento será fundamental para antecipar possíveis ajustes na oferta, nos preços e na estratégia comercial do milho brasileiro ao longo do ano.
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