Levantamento mostra que produtores incorporaram técnicas sustentáveis como parte da estratégia produtiva
A sustentabilidade deixou de ser apenas um discurso no agronegócio brasileiro e passou a integrar, de forma concreta, a rotina das propriedades rurais. É o que aponta a mais recente pesquisa da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA), que revela uma ampla adoção de práticas sustentáveis entre os produtores do país.
Sustentabilidade integrada à produção rural
Divulgado em 2026, o estudo da ABMRA chega à sua 9ª edição e indica que 72% dos produtores brasileiros já utilizam técnicas de produção sustentável. O levantamento ouviu 3.100 produtores rurais em 16 estados, abrangendo 15 culturas agrícolas e quatro tipos de rebanhos, o que confere representatividade nacional aos resultados.
De acordo com a entidade, o cuidado ambiental deixou de ser visto como uma exigência externa e passou a ser encarado como um fator estratégico para a continuidade das atividades no campo. Práticas como manejo eficiente do solo, uso racional de insumos e adoção de métodos que reduzem impactos ambientais estão cada vez mais presentes no dia a dia das propriedades.
Essa mudança está diretamente ligada aos desafios enfrentados pelo setor, como eventos climáticos extremos, escassez de recursos naturais e pressão por maior eficiência produtiva. Nesse contexto, sustentabilidade e rentabilidade passaram a caminhar juntas.
Perfil do produtor e desafios de qualificação
A pesquisa também traça um panorama do perfil do produtor rural brasileiro. Segundo os dados, 61% seguem na atividade por tradição familiar, reforçando o vínculo histórico com a terra. No entanto, o estudo aponta um desafio relevante: apenas 9% dos entrevistados possuem ensino superior completo.
Para a ABMRA, esse dado evidencia a necessidade de ampliar a capacitação e a profissionalização no campo, especialmente diante do avanço tecnológico e da complexidade crescente das práticas sustentáveis. O presidente da entidade, Ricardo Nicodemos, destaca que, embora a tecnologia esteja cada vez mais presente nas propriedades, ainda há dificuldades na comunicação do setor com o público urbano, o que contribui para percepções distorcidas sobre a produção agropecuária no Brasil.
Mulheres, gestão e sucessão no campo
Outro aspecto relevante do levantamento é o aumento da participação feminina na gestão das propriedades rurais. A presença das mulheres tem contribuído para novas abordagens na organização do trabalho, no planejamento e na valorização da sustentabilidade como diferencial competitivo.
A sucessão familiar permanece como um objetivo central para muitos produtores, mas o estudo indica que ela vem acompanhada de uma maior preocupação com gestão profissional, controle de custos e adoção de práticas alinhadas às exigências do mercado atual.
Conclusão
Os dados apresentados pela pesquisa da ABMRA confirmam que a sustentabilidade já se consolidou como um eixo estruturante do agronegócio brasileiro. A adoção de práticas sustentáveis por 72% dos produtores revela uma mudança significativa de mentalidade, na qual a preservação ambiental passou a ser entendida como parte integrante da eficiência produtiva e da resiliência econômica das propriedades.
Esse movimento ganha ainda mais relevância diante do cenário de instabilidade climática, da pressão por alimentos produzidos de forma responsável e das exigências crescentes dos mercados consumidores, tanto no Brasil quanto no exterior. Ao incorporar práticas sustentáveis, os produtores não apenas reduzem riscos, mas também fortalecem a competitividade do setor no longo prazo.
Por outro lado, o levantamento evidencia desafios estruturais que precisam ser enfrentados. A baixa qualificação formal aponta para a necessidade de políticas e iniciativas voltadas à capacitação contínua, especialmente em um ambiente cada vez mais tecnológico e orientado por dados. Além disso, a dificuldade de comunicação com a sociedade urbana indica que o setor ainda precisa avançar na transparência e na divulgação de seus avanços.
O crescimento da participação feminina e a preocupação com sucessão familiar sinalizam uma transformação gradual na gestão das propriedades, com maior foco em planejamento, inovação e sustentabilidade. Nos próximos anos, o impacto desse movimento dependerá da capacidade de ampliar o acesso à informação, alinhar tradição e profissionalização e garantir que as práticas sustentáveis continuem sendo economicamente viáveis, evitando que se tornem apenas um discurso sem aplicação prática no campo.
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