Estudo da Epamig identifica variedades com alto potencial produtivo e enológico fora do calendário tradicional
A viticultura brasileira pode ganhar um novo impulso com a adoção de cultivares mais adaptadas ao manejo de dupla poda. Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) divulgaram resultados que apontam nove variedades de uva com desempenho consistente para a produção de vinhos de inverno, ampliando as alternativas disponíveis aos produtores e fortalecendo a diversificação do setor no país.
Dupla poda desloca a colheita para o inverno e melhora a qualidade
A técnica de dupla poda consiste na realização de duas intervenções ao longo do ciclo da videira. A primeira ocorre logo após a floração do ciclo anterior, enquanto a segunda é feita em um momento posterior, permitindo que a fase de maturação das uvas seja transferida para os meses mais frios do ano.
Esse manejo altera o calendário tradicional da viticultura, normalmente concentrado no verão, e traz vantagens importantes. Ao evitar o período de chuvas intensas, comuns nessa estação, as plantas ficam menos expostas a problemas sanitários, além de favorecerem maior concentração de açúcares e compostos aromáticos, elementos fundamentais para a elaboração de vinhos de melhor qualidade.
Resultados do estudo e cultivares selecionadas
Os experimentos foram conduzidos em um vinhedo experimental no sul de Minas Gerais, ao longo de sete anos, com a análise de cinco safras consecutivas. Nesse período, foram avaliadas 12 cultivares, incluindo uvas tintas e brancas. A seleção levou em conta tanto critérios agronômicos, como produtividade por planta, quanto parâmetros enológicos, diretamente relacionados ao perfil e à qualidade dos vinhos.
Entre as uvas brancas, as quatro variedades testadas demonstraram boa adaptação ao manejo de dupla poda. Viognier, Marsanne e Muscat Petit Grain Blanc se destacaram pela resposta positiva ao cultivo no ciclo de inverno e pelos perfis aromáticos, considerados atrativos para a elaboração de vinhos diferenciados.
No grupo das tintas, cinco cultivares apresentaram desempenho superior. A variedade Marselan foi apontada como uma das mais promissoras, reunindo elevada produção de frutos por planta, bons níveis de açúcar e acidez equilibrada. Esses atributos são especialmente valorizados em vinhos com potencial de envelhecimento, inclusive aqueles destinados à maturação em barris de carvalho. Nos testes, Marselan superou algumas cultivares tradicionais, mostrando regularidade e qualidade no contexto da viticultura de inverno.
Diversificação responde à demanda do mercado
De acordo com os pesquisadores, a produção nacional de vinhos ainda é bastante concentrada. Até recentemente, cerca de 80% do volume produzido no país estava restrito a duas variedades amplamente difundidas: Syrah, entre os tintos, e Sauvignon Blanc, entre os brancos. A identificação de novas cultivares adaptadas à dupla poda surge como uma alternativa para ampliar esse leque, atendendo à crescente demanda por diversidade e diferenciação no mercado brasileiro.
Conclusão
Os resultados apresentados pela Epamig indicam um avanço relevante para a viticultura nacional ao demonstrar que a técnica de dupla poda pode ser combinada com um conjunto mais amplo de cultivares, mantendo produtividade e qualidade enológica. A identificação de nove variedades com desempenho comprovado reforça a viabilidade da produção de vinhos de inverno em regiões de clima tropical e subtropical, tradicionalmente vistas como desafiadoras para a viticultura de qualidade.
Do ponto de vista técnico e produtivo, o estudo oferece aos produtores informações concretas para reduzir riscos, melhorar a sanidade das uvas e explorar novos perfis de vinho. Em termos de mercado, a diversificação de cultivares contribui para diminuir a dependência de poucas variedades e abre espaço para produtos mais segmentados e com maior valor agregado.
O próximo passo envolve a adoção gradual dessas cultivares em escala comercial, a validação dos resultados em diferentes regiões e a avaliação da viabilidade econômica do manejo em propriedades de distintos portes. Se bem conduzida, a expansão da dupla poda com novas variedades pode representar um marco na consolidação dos vinhos de inverno como um diferencial competitivo da vitivinicultura brasileira.
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