Levantamento da CCAB indica expansão das importações no bloco árabe e abre espaço para redirecionamento de exportações brasileiras entre 2026 e 2028
Um estudo da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB) aponta que os países da Liga Árabe vêm ampliando as compras de carne bovina e podem se tornar alternativa estratégica para o Brasil diante das restrições impostas pela China. A análise considera o período de 2022 a 2024 e projeta oportunidades para o excedente brasileiro que ultrapassar a cota chinesa nos próximos anos.
Crescimento expressivo das importações no bloco árabe
Os 22 países que integram a Liga Árabe elevaram significativamente suas aquisições de carne bovina nos últimos anos. Entre 2022 e 2024, o volume importado passou de aproximadamente 766 mil toneladas para cerca de 1,24 milhão de toneladas, avanço de 62%.
Em termos financeiros, o valor das compras também cresceu. No mesmo intervalo, as importações subiram de US$ 4,4 bilhões para US$ 5,2 bilhões, alta de 18%.
O avanço, porém, não ocorreu de forma uniforme. Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita seguem como os principais compradores, concentrando mais de 63% do volume total importado pela região. Por outro lado, países como Argélia, Iraque, Jordânia e Omã registraram expansão média de 672% nas compras no período analisado, sinalizando novas frentes de demanda.
Participação brasileira e perfil dos produtos exportados
O levantamento mostra que o Brasil ocupa a segunda posição entre os fornecedores de carne bovina ao bloco árabe no acumulado de 2022 a 2024, com 28,4% de participação. A Índia lidera com 34%, enquanto o Paquistão aparece bem atrás, com 8,2%.
Em 2025, as exportações brasileiras para os países árabes superaram US$ 1,79 bilhão, crescimento de quase 2% em relação ao ano anterior, conforme dados do Agrostat, sistema estatístico do Ministério da Agricultura. No período, a região respondeu por cerca de 10% do valor total embarcado pelos frigoríficos brasileiros.
Segundo o secretário-geral da CCAB, Mohamad Mourad, o cenário tende a evoluir positivamente. Ele destaca que vários desses mercados já importam outras proteínas do Brasil, como carne de frango e produtos processados, além de apresentarem crescimento populacional e expansão econômica.
Em relação ao portfólio, predominam cortes de maior valor agregado, como carne bovina congelada ou refrigerada desossada, responsáveis por cerca de 70% do valor exportado. Além disso, produtos como língua e fígado bovino registraram crescimento de 388% e 104%, respectivamente, indicando oportunidades em nichos específicos.
Estrutura tarifária favorece competitividade
O estudo também aponta condições tarifárias consideradas competitivas em parte do bloco árabe. A Líbia, por exemplo, não aplica tarifa sobre carne bovina em nenhuma categoria.
No Egito, apenas miúdos e produtos industrializados são taxados, com alíquotas de 5% e 20%. Já nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Omã e Bahrein — as tarifas variam entre 0% e 6% para carnes e miúdos bovinos.
Esse ambiente tributário pode facilitar a ampliação dos embarques brasileiros, especialmente diante das restrições em outros destinos.
Limitações da cota chinesa e necessidade de diversificação
A China, principal destino da carne bovina brasileira, adotou medidas de salvaguarda que estabelecem uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas sem aplicação de tarifas adicionais. Volumes que excedem esse limite passam a ser tributados em 55%, o que compromete a viabilidade comercial de grande parte dos embarques extras.
Em 2025, o Brasil exportou aproximadamente 1,648 milhão de toneladas para o mercado chinês, gerando receita superior a US$ 8,8 bilhões. O novo teto cria um excedente estimado em centenas de milhares de toneladas, que deverá buscar novos mercados entre 2026 e 2028.
Especialistas do setor avaliam que o bloco árabe possui capacidade para absorver parte desse volume adicional. No entanto, alertam que a expansão não será imediata. O processo exigirá ajustes logísticos, manutenção das certificações halal já consolidadas e negociações comerciais contínuas para ampliar o acesso.
Conclusão
O estudo da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira evidencia uma convergência de fatores relevantes para o comércio internacional de carne bovina. De um lado, há a limitação imposta pela China, que estabelece uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas com tarifa adicional de 55% para volumes excedentes. De outro, observa-se o crescimento consistente das importações de carne bovina pelos 22 países da Liga Árabe, que ampliaram suas compras em 62% em volume e 18% em valor entre 2022 e 2024.
Os dados mostram que o Brasil já ocupa posição estratégica nesse mercado, com 28,4% de participação no fornecimento ao bloco árabe e exportações que superaram US$ 1,79 bilhão em 2025. Além disso, a predominância de cortes de maior valor agregado e a expansão de nichos como língua e fígado bovino indicam diversificação de demanda. A estrutura tarifária relativamente favorável em países como Líbia, Egito e membros do GCC reforça a competitividade brasileira.
No entanto, a possível absorção do excedente que ultrapassa a cota chinesa — estimado em centenas de milhares de toneladas — dependerá de fatores operacionais e comerciais. Será necessário ampliar canais de distribuição, fortalecer relações diplomáticas e garantir conformidade com exigências sanitárias e religiosas, como a certificação halal. A expansão também exigirá coordenação entre frigoríficos, tradings e governo para consolidar presença em mercados que, embora promissores, ainda demandam construção de escala.
Em termos estratégicos, a movimentação sinaliza a importância da diversificação de destinos para reduzir a dependência de um único comprador. Caso o redirecionamento avance, o bloco árabe poderá se consolidar como eixo relevante para o escoamento da carne bovina brasileira entre 2026 e 2028. Ainda assim, o ritmo dessa transição será determinante para medir seu impacto real sobre a balança comercial e sobre a sustentabilidade das exportações do setor.
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