Pesquisa conjunta aponta menor pegada de carbono e destaca eficiência produtiva no país
Um estudo técnico conduzido por Cargill Nutrição e Saúde Animal, Universidade de São Paulo e Embrapa Gado de Leite revelou que a produção de leite no Brasil apresenta emissões de gases de efeito estufa bem inferiores à média global. O levantamento indica que a atividade nacional se destaca em termos ambientais quando comparada ao cenário internacional.
Emissões por litro ficam abaixo do padrão global
Os pesquisadores calcularam que a pecuária leiteira brasileira emite, em média, 1,19 kg de dióxido de carbono equivalente (CO₂eq) para cada quilo de leite produzido. O indicador considera os principais gases de efeito estufa, como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, convertidos em uma métrica única para permitir comparação entre países.
No contexto mundial, a média estimada é de aproximadamente 2,5 kg de CO₂eq por quilo de leite. Assim, o desempenho brasileiro representa menos da metade das emissões globais, posicionando o país em nível semelhante ao de sistemas produtivos consolidados.
Entre os exemplos citados no estudo, a Alemanha registra cerca de 1,2 kg de CO₂eq por quilo de leite, enquanto os Estados Unidos apresentam média próxima de 1,0 kg de CO₂eq.
Metodologia e base de dados
A pesquisa utilizou a metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), que analisa os impactos ambientais desde a produção dos insumos até a saída do leite da fazenda, no modelo conhecido como “do berço ao portão”.
O levantamento acompanhou 162 milhões de litros de leite, produzidos por 24.349 animais distribuídos em 28 fazendas localizadas em sete estados brasileiros. A amostra contemplou diferentes sistemas produtivos e biomas, o que ampliou a representatividade dos resultados.
Produtividade influencia diretamente as emissões
Os dados mostram que maior eficiência produtiva está associada à redução da pegada de carbono por litro. Propriedades com produção superior a 25 litros de leite por vaca ao dia apresentaram média de 0,90 kg de CO₂eq por quilo.
Por outro lado, fazendas com produtividade inferior a esse patamar registraram emissão média de 1,58 kg de CO₂eq por quilo. O resultado indica que tecnologias de manejo, ajustes nutricionais e estratégias reprodutivas contribuem para reduzir emissões sem comprometer o volume produzido.
Principais fontes de gases de efeito estufa
O estudo identificou o metano entérico, proveniente do processo digestivo dos bovinos, como a maior fonte de emissões, respondendo por cerca de 47% do total.
A produção de alimentos fora da propriedade rural representou 36,8% das emissões, enquanto o manejo de dejetos foi responsável por aproximadamente 8,1%.
Diferenças entre biomas brasileiros
A análise também apontou variações regionais na intensidade de emissões:
Pampa: 0,99 kg de CO₂eq por quilo de leite
Cerrado: 1,12 kg de CO₂eq
Mata Atlântica: 1,19 kg de CO₂eq
Caatinga: 1,50 kg de CO₂eq
Essas diferenças refletem condições climáticas, sistemas de produção e níveis de tecnologia adotados em cada região.
Conclusão
O estudo conduzido por Cargill Nutrição e Saúde Animal, Universidade de São Paulo e Embrapa Gado de Leite demonstra, com base técnica robusta e amostragem expressiva, que o leite brasileiro apresenta intensidade de emissões significativamente inferior à média mundial. O levantamento, que avaliou milhões de litros produzidos em diferentes biomas, confirma que a eficiência produtiva e o manejo adotado nas propriedades têm papel determinante na redução da pegada de carbono.
Os números mostram que o país opera em patamar comparável ao de nações com tradição em sistemas leiteiros tecnificados, como Alemanha e Estados Unidos. Além disso, evidenciam que o aumento da produtividade por animal reduz proporcionalmente as emissões por litro, reforçando a relação entre tecnologia, gestão e sustentabilidade.
A identificação das principais fontes de gases — especialmente o metano entérico — oferece direcionamento claro para políticas públicas, investimentos privados e estratégias de inovação. Ao mesmo tempo, as variações regionais indicam espaço para avanços em áreas com maior intensidade de emissões, como a Caatinga.
Em um cenário global marcado por exigências ambientais crescentes, métricas transparentes e comparáveis internacionalmente tornam-se instrumento estratégico para o setor. A consolidação de dados técnicos dessa natureza pode fortalecer a posição do leite brasileiro em mercados que priorizam critérios de sustentabilidade. Nos próximos anos, a ampliação de práticas eficientes, o incentivo à adoção tecnológica e a manutenção de estudos periódicos serão fatores decisivos para sustentar e aprimorar esse desempenho ambiental.
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