Queda na produção e clima adverso reduzem oferta e pressionam mercado global
A Índia deve enfrentar, pelo segundo ano consecutivo, um déficit na produção de açúcar. O cenário é marcado pela redução da produtividade da cana-de-açúcar e pelo encerramento antecipado das atividades em diversas usinas, o que acende um alerta para o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno e internacional.
Produção insuficiente amplia pressão sobre o mercado
As estimativas mais recentes indicam que a produção de açúcar na safra 2025/26 não deve ultrapassar 28 milhões de toneladas. No entanto, o consumo doméstico do país está projetado entre 28,5 e 29 milhões de toneladas, o que configura um novo déficit.
Esse resultado contrasta com as previsões iniciais do ciclo, quando o setor trabalhava com uma expectativa próxima de 31 milhões de toneladas, sugerindo possibilidade de excedente. Ao longo da safra, porém, fatores climáticos alteraram significativamente o cenário produtivo.
Clima impacta produtividade e acelera fim da safra
O desempenho abaixo do esperado está diretamente ligado às condições climáticas desfavoráveis. Chuvas intensas em regiões estratégicas prejudicaram o desenvolvimento dos canaviais, reduzindo a produtividade por hectare.
Como consequência, o ciclo produtivo foi encurtado em várias áreas. Até o final de março, cerca de 467 usinas já haviam encerrado suas operações, número superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Esse movimento evidencia a queda na disponibilidade de matéria-prima para moagem.
Estados importantes para a produção, como Maharashtra e Karnataka, foram os mais impactados. Nessas regiões, praticamente todas as unidades industriais interromperam suas atividades antes do previsto, refletindo a escassez de cana.
Crescimento parcial não compensa perdas
Apesar das dificuldades ao longo da safra, a produção acumulada no início do ciclo apresentou avanço. No primeiro semestre da temporada 2025/26, as usinas indianas produziram cerca de 27,12 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de aproximadamente 9% em relação ao mesmo período anterior.
Ainda assim, esse desempenho não foi suficiente para compensar a redução total da produção, já que o encerramento antecipado das operações limitou o volume final da safra.
Exportações e estoques elevam preocupação
Outro elemento que agrava o cenário é a política de exportações. Mesmo diante da menor produção, o país ampliou sua cota para cerca de 2 milhões de toneladas, o que tende a reduzir ainda mais a disponibilidade interna.
Com isso, os estoques também devem recuar. O volume de abertura, que era de aproximadamente 5 milhões de toneladas nesta safra, pode cair para menos de 4 milhões de toneladas no próximo ciclo, indicando um mercado mais apertado.
Conclusão
O segundo déficit consecutivo na produção de açúcar da Índia reforça um cenário de maior restrição na oferta global da commodity. A combinação de produtividade reduzida, encerramento antecipado das usinas e manutenção das exportações cria um ambiente de pressão sobre os estoques e sobre o equilíbrio entre oferta e demanda no país.
Do ponto de vista interno, a redução na produção e nos estoques tende a sustentar os preços do açúcar no mercado indiano. A menor disponibilidade do produto, aliada a um consumo estável, cria condições para valorização das cotações, o que pode impactar diretamente consumidores e setores industriais dependentes do insumo.
No cenário internacional, o impacto é ainda mais relevante. A Índia ocupa posição de destaque entre os maiores produtores globais de açúcar, e qualquer alteração significativa em sua oferta influencia diretamente a formação de preços no mercado mundial. Com menos produto disponível, outros grandes exportadores, como o Brasil, podem ganhar espaço, ajustando suas estratégias comerciais para atender à demanda externa.
Além disso, o contexto atual evidencia a vulnerabilidade da produção agrícola a fatores climáticos extremos. As chuvas excessivas que afetaram regiões-chave do país demonstram como eventos climáticos podem alterar rapidamente projeções de oferta, exigindo maior atenção na gestão de riscos e no planejamento do setor sucroenergético.
Para os próximos meses, o mercado deve acompanhar de perto a evolução dos estoques, as decisões do governo indiano sobre exportações e as condições climáticas para a próxima safra. A continuidade desse cenário de déficit pode consolidar um ciclo de preços mais firmes e aumentar a competitividade de outros países produtores, ao mesmo tempo em que amplia a volatilidade no mercado global de açúcar.
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