Endividamento Rural Avança a 7,9% e Acende Alerta no Agronegócio Brasileiro
O endividamento no campo voltou ao centro das atenções em Brasília. Dados apresentados pelo Banco Central durante audiência no Senado revelam que a inadimplência entre os produtores rurais alcançou 7,9% no primeiro trimestre de 2025, o maior nível desde o início da série recente de monitoramento. O índice acende um sinal vermelho para o financiamento da próxima safra e para a saúde econômica do setor.
Grandes produtores lideram a escalada de dívidas
O relatório do Banco Central aponta um retrato preocupante: os produtores de grande porte registraram inadimplência de 10,7%, liderando o avanço do endividamento. Especialistas afirmam que esse grupo, embora tradicionalmente mais capitalizado, enfrentou forte pressão de custos e maiores volumes de financiamento, o que ampliou a exposição ao risco financeiro.
Ao mesmo tempo, arrendatários e produtores que dependem quase integralmente de crédito rural foram os mais vulneráveis na safra 2024/25. Entre aqueles que financiaram 100% dos custos de produção, a margem média ficou negativa em 2,6%, resultado de uma safra marcada por oscilações climáticas, insumos mais caros e recuperação lenta de produtividade.
Em contrapartida, produtores proprietários que custearam a atividade com recursos próprios tiveram desempenho muito superior. Segundo o Banco Central, esse grupo alcançou margem positiva de 35,7%, mostrando como a dependência do crédito pode determinar o sucesso ou o colapso da atividade.
O que está por trás da alta da inadimplência
O avanço do endividamento não está ligado apenas aos eventos climáticos registrados nos últimos ciclos. O Banco Central destaca que a crise atual é fruto de uma combinação de fatores:
Custos de produção elevados, especialmente fertilizantes, arrendamentos e mão de obra.
Volume crescente de financiamentos contratados para manter a operação mínima das propriedades.
Ritmo lento de recuperação da produtividade, após safras marcadas por desafios climáticos e queda de preços de algumas commodities.
Nesse cenário, produtores que dependem exclusivamente de crédito rural acabam ficando mais expostos, já que o custo financeiro consome parte significativa da rentabilidade — muitas vezes inviabilizando o lucro mesmo em safras medianas.
Riscos para a cadeia do agro
A persistência da inadimplência preocupa o mercado financeiro e o próprio setor agrícola. Técnicos alertam que, se o índice avançar, pode haver restrição na oferta de crédito para o ciclo 2025/26, encarecendo financiamentos e limitando investimentos em tecnologia, maquinário e insumos.
O impacto em cadeia pode atingir desde cooperativas e fornecedores até o abastecimento de alimentos e a geração de empregos no interior do país. Alguns analistas já falam em risco de desaceleração do agro, caso não haja revisão nos modelos de financiamento rural.
Caminhos propostos para conter a crise
Diante do cenário, representantes do agro e economistas têm defendido mudanças estruturais no desenho do crédito rural brasileiro. Entre as propostas discutidas estão:
Ajuste de prazos e taxas de juros para adequá-los à realidade das safras e às oscilações climáticas.
Revisão dos critérios de concessão, buscando evitar sobreendividamento e ampliar a segurança para produtores e instituições financeiras.
Reforço dos programas de seguro rural e garantias, permitindo que o produtor tenha mais proteção em períodos de instabilidade.
Criação de mecanismos mais ágeis de renegociação de dívidas, especialmente para arrendatários e pequenos produtores, considerados os mais suscetíveis a variações de mercado.
À medida que o país avança para um novo ciclo agrícola, o debate sobre o futuro do crédito rural ganha força. Para especialistas, enfrentar o avanço da inadimplência é essencial para manter a vitalidade do agronegócio brasileiro — setor responsável por cerca de um quarto do PIB nacional.
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