Desvalorização superior a 65% em menos de dois anos pressiona renda no campo e intensifica mobilizações no Brasil
O mercado global de cacau atravessa um dos momentos mais críticos dos últimos anos. Em menos de dois anos, a cotação internacional da amêndoa caiu mais de 65%, provocando forte impacto sobre produtores brasileiros, que agora defendem a interrupção das importações como forma de conter novas perdas.
Preço do cacau despenca mais de 65% no mercado internacional
Na Bolsa de Nova York, a tonelada de cacau passou de mais de US$ 10,9 mil, em meados de 2024, para pouco mais de US$ 3,7 mil no início de 2026. Trata-se de uma das quedas mais expressivas já registradas em curto intervalo no mercado da commodity.
A retração é atribuída principalmente ao desequilíbrio entre oferta e demanda. Países líderes na produção mundial, como Costa do Marfim e Gana, acumularam estoques elevados nos últimos meses. Ao mesmo tempo, compradores internacionais reduziram o ritmo de aquisições. Como resultado, o excesso de produto disponível pressionou fortemente as cotações nas bolsas globais.
Especialistas do setor apontam ainda uma mudança no cenário estrutural. Até meados de 2025, o mercado enfrentava escassez de oferta diante de uma demanda aquecida. Em 2026, porém, a situação se inverteu: o volume produzido supera a procura, ampliando o movimento de queda nos preços.
Produtores brasileiros reagem à crise e criticam importações
No Brasil, a desvalorização internacional se soma a fatores internos que ampliam a insatisfação. Em janeiro de 2026, a Federação de Agricultura e Pecuária da Bahia divulgou nota pública criticando o avanço das importações de cacau, sobretudo de origem africana.
De acordo com produtores e entidades representativas, a entrada de amêndoas estrangeiras, frequentemente comercializadas a preços mais baixos, aumenta a pressão sobre o mercado interno e reduz ainda mais o valor pago aos agricultores nacionais.
O cenário gerou mobilizações. Trabalhadores rurais e produtores realizaram protestos em rodovias, bloqueando trechos em manifestação contra o que consideram preços inviáveis e práticas desfavoráveis no mercado. Entre as críticas, há também alegações de formação de cartel no setor.
Além disso, agricultores relatam a aplicação de deságios na comercialização doméstica, o que diminui a rentabilidade em um contexto de custos de produção elevados. Diante desse quadro, parte dos produtores questiona a viabilidade econômica da cultura e reforça a reivindicação de restrição às importações realizadas sem tarifas.
Conclusão
A queda superior a 65% no preço internacional do cacau, saindo de mais de US$ 10,9 mil por tonelada em 2024 para pouco mais de US$ 3,7 mil no início de 2026, evidencia uma reviravolta significativa no mercado global da commodity. O movimento, impulsionado pelo aumento dos estoques em grandes produtores como Costa do Marfim e Gana e pela retração das compras internacionais, marca a transição de um cenário de escassez para outro de excesso de oferta em menos de um ano. Essa mudança estrutural alterou drasticamente a dinâmica de formação de preços.
No Brasil, os reflexos são diretos. A combinação entre desvalorização externa, aumento das importações — especialmente de países africanos — e aplicação de deságios no mercado interno intensifica a perda de renda no campo. A manifestação pública da Federação de Agricultura e Pecuária da Bahia, em janeiro de 2026, e os protestos em rodovias revelam o grau de insatisfação do setor produtivo. Ao mesmo tempo, as alegações de práticas anticompetitivas demonstram que a crise ultrapassa a simples variação de preços e envolve a estrutura de comercialização.
O debate sobre a interrupção ou restrição de importações sem tarifas surge como uma das principais bandeiras dos produtores. No entanto, qualquer medida nessa direção exigirá análise dos impactos sobre a indústria, o comércio exterior e a competitividade do país. O Brasil é relevante na produção global de cacau, mas também integra cadeias internacionais que demandam equilíbrio entre oferta interna e abastecimento industrial.
Nos próximos meses, o comportamento da demanda global será decisivo para definir o rumo das cotações. Paralelamente, o setor brasileiro deverá intensificar o diálogo com autoridades para discutir mecanismos de proteção de renda e ajustes na política comercial. O desafio central será encontrar soluções que garantam sustentabilidade econômica aos produtores sem comprometer a inserção do país no mercado internacional de cacau.
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