Ajuste no calendário reprodutivo reduz descartes precoces e favorece o ganho genético do rebanho
Postergar o início da primeira estação de monta das novilhas em cerca de 30 a 40 dias tem se mostrado uma estratégia eficiente para melhorar a fertilidade e aumentar a longevidade das matrizes. A prática contribui para maior taxa de prenhez, preserva fêmeas com alto potencial genético e reduz o descarte precoce no sistema de cria.
Descarte precoce compromete o avanço genético
No manejo tradicional, a exigência de reconcepção rápida das primíparas leva muitos produtores a eliminar vacas jovens logo após o primeiro parto. De acordo com o médico-veterinário Izaias Claro Júnior, essa decisão pode retirar do plantel animais de elevado mérito genético.
A falha na reconcepção imediata, na maioria das vezes, não está relacionada à infertilidade. O principal fator é o desgaste fisiológico causado pelo primeiro parto e pela lactação. Novilhas que parem mais tarde tendem a direcionar energia ao crescimento corporal e à produção de leite, chegando à estação seguinte com menor escore de condição corporal quando o calendário não é ajustado.
Ao descartar essas fêmeas, interrompe-se o progresso genético do rebanho e aumenta-se o custo de reposição.
Como funciona o atraso da primeira monta
A estratégia consiste em iniciar o protocolo reprodutivo das novilhas após o restante do rebanho. Com esse ajuste, o parto ocorre mais tarde no ciclo produtivo, reduzindo o período de perda de condição corporal no pós-parto.
Como resultado, a fêmea chega à segunda estação reprodutiva com melhor escore corporal, o que aumenta a probabilidade de prenhez já na primeira inseminação artificial em tempo fixo (IATF). Isso diminui a necessidade de protocolos adicionais e reduz o risco de descarte das primíparas.
Observações de campo indicam que muitas das fêmeas que parem mais tarde e mantêm bom desempenho são justamente as de maior potencial genético, pois priorizam crescimento e lactação na primeira cria.
Organização dos lotes e manejo adequado
Para obter melhores resultados, recomenda-se estruturar os grupos reprodutivos de forma sequencial: primíparas já ajustadas, secundíparas, novilhas com atraso programado na primeira monta e, por fim, multíparas e vacas solteiras. Esse ordenamento facilita o uso dos protocolos de IATF e permite manejo nutricional específico para cada categoria.
O sucesso da estratégia também depende de dois fatores essenciais. O primeiro é a suplementação nutricional antes do parto, que é mais eficiente do que tentar recuperar o escore corporal após o nascimento do bezerro. O segundo é o controle sanitário rigoroso, com vacinação contra enfermidades reprodutivas como brucelose, IBR, BVD e leptospirose, fundamentais para manter a fertilidade e a longevidade das matrizes.
Impacto na produtividade do sistema de cria
Com o calendário reprodutivo melhor ajustado, há aumento da taxa de reconcepção, redução do descarte precoce e prolongamento da vida produtiva das vacas. Além disso, o rebanho evolui geneticamente de forma mais consistente, protegendo o investimento feito na reposição de fêmeas.
Conclusão
O atraso programado da primeira monta representa uma mudança de manejo com efeitos diretos sobre a eficiência da pecuária de cria. Ao reduzir a pressão reprodutiva sobre as primíparas, a estratégia melhora o equilíbrio entre crescimento, lactação e recuperação corporal, fatores determinantes para a reconcepção na estação seguinte.
Do ponto de vista econômico, a medida diminui a necessidade de reposição de matrizes, reduz gastos com protocolos reprodutivos repetidos e aumenta o retorno sobre o investimento em genética. A permanência de fêmeas superiores por mais tempo no rebanho acelera o ganho produtivo ao longo dos ciclos.
Em termos sanitários e nutricionais, o sucesso depende de planejamento prévio, com suplementação adequada antes do parto e controle rigoroso de doenças reprodutivas. Esses pilares garantem que o potencial da estratégia seja plenamente aproveitado.
Para o sistema de cria, trata-se de uma prática de baixo custo e alto impacto, capaz de elevar indicadores reprodutivos, melhorar a longevidade das matrizes e fortalecer a sustentabilidade produtiva. Nos próximos ciclos, a adoção mais ampla dessa abordagem tende a contribuir para rebanhos mais eficientes, com maior produtividade e menor descarte de fêmeas jovens.
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